terça-feira, 14 de agosto de 2012

A cor do amor


O amor é líquido.
 Escorre quase que instantaneamente, pelo lábio sedento.
 Porém hidrata, ainda que em seu súbito trajeto.
Será o amor finito?
Finito. Aflito. Alheio.
O amor é abstrato, sem traços definidos.
Irregular. Confuso. Um esboço de nada, ou de tudo.
Bizarro. Utópico. Vital.
Amor: sentimento intrínseco ao demais.
Ama-se quando se odeia. Se vive.  Se perde.
Ama-se tudo, e ama-se nada.
Na verdade acho que o amor é a alma do avesso.
Será o amor palpável?
Toques. Sensações. Imaginação.
O amor é sonho e fuga – acho que o amor é carnal.
Amor.  Será ele insípido?
Amargo, doce?
Talvez tenha sabor de lágrimas – ou não.
 

Gostaria de sentir seu cheiro...

 Andei pensando que o amor é incolor,
Pois ama-se no escuro. Ou será ele colorido?
Mas não. Tenho certeza que o amor é verde!

Felicidade


E se ser feliz for apenas se acostumar à tristeza?



E se nunca passar?



E se passar pra sempre?   

Estranhamente Eu



E era assim... um romântico patético, que preferiu acreditar em uma felicidade inventada, como seu próprio eu. Que é a vida senão mera tentativa frustrada de romper a dicotomia entre o bem e o mal de si mesmo?

O medo há de existir quando não mais sentir medo. A dor é a materialização do sentir, e o sentir é o que nos mantém vivos.

E era assim... um ser dotado de uma esquizofrenia doce. São de não estar são. As palavras insistiam em registrar suas angústias mais intimas, seus medos mais profundos e sua tola felicidade efêmera. Ah! A realidade é complexa demais para sua simplicidade mental, ou o inverso.

E era assim... só dúvidas, contradições. Uma verdadeira ambiguidade sentimental ambulante, que buscava o equilíbrio também inventado. A vida é a constante invenção do querer, e o querer é condicionado pelo não ter. Passa-se a vida á procura do que não se tem. Buscam-se flores, poesia, medo e sombra. Os dias são a marca humana do perder-se. Quando se tenta encontrar, mais se aprofunda em perder. Sonhar é requisito pra sobrevivência, e morrer a única certeza que dotamos. Todo resto é interrogação, incógnitas, mera encruzilhada do acaso. O acaso é incerto, e esse corrói, mata, destrói paulatinamente enquanto se vive (ou se morre), no entanto é ele que nos permite virar os dias, semanas, anos e décadas. Quão pesado seria ter a certeza de que o incerto é certo. Imutável. Irreversível.

E era assim... estranhamente eu. Dotado de incontáveis e estranhas contradições sentimentais, tentando enxergar brilho no escuro, poesia em sombra. À procura do incerto já certo. As palavras eram assim, seu elo com seu próprio eu e as coisas do mundo, que curam, acalmam, mas destroem concomitantemente.

E era assim... experimental de sentimentos ocultos, que insistiam em ganhar vida. Vida inventada, arbitrária, irreal. O oculto da vida sempre esteve por detrás do olhar triste, e do lábio sorridente. É medo, dor, sombra. Porém é brilho. É luz. Já que a dor nos caracteriza vivos, ela só há de existir, quando houver algum resquício do “ser” não só do “estar”, preso ao mundo ao qual não se pertence.